CARLOS TENIUS – VOO LIVRE

blank

O Museu de Arte do Paço inaugura, no próximo dia 8 de maio, dia do Artista Plástico, a exposição Carlos Tenius
– Voo livre. Com curadoria de Eduardo Veras e Paula Ramos, a mostra foi concebida especialmente para o
espaço, no âmbito da homenagem prestada pela Coordenação de Artes Visuais ao artista, na última edição do
Prêmio Açorianos de Artes Plásticas (2025).
Tendo como eixo a obra-prima do escultor, o Monumento aos Açorianos, de 1974, a mostra propõe que as
questões temáticas, formais e técnicas ali prementes não são exclusivas e nem singulares, circunscritas a certo
ponto da trajetória do artista. Segundo os curadores, essas questões “[…] lampejam e relampejam em diferentes
momentos, antes e depois da fixação do monumento em espaço público. Assim, a ideia de voo, o
embaralhamento de corpos humanos, a síntese formal, a precisão dos cortes, o peso e a rigidez dos materiais,
a ilusão de movimento e o vigor da revoada, marcas indeléveis do Monumento aos Açorianos, já se faziam
presentes nos primeiros trabalhos do escultor e seguiram reluzindo, em maior ou menor grau, em outras peças
imaginadas por ele, sejam pequenas ou monumentais”.
A mostra exibe algumas das primeiras esculturas do artista, produzidas em seu período formativo no antigo
Instituto de Belas Artes, além de diversos desenhos preparatórios para o monumento, até então inéditos. Exibe,
ainda, recortes de jornal, fotografias e cadernos privados. A seleção também inclui a primeira maquete em aço
dos Açorianos, que Tenius preserva em casa, em sua sala de estar, e a segunda maquete, ainda maior,
também em aço, com quase três metros de extensão. A peça, que faz parte do acervo artístico municipal, subiu
do porão da prefeitura para figurar na exposição.
O visitante terá, por fim, a chance de conferir um “pequeno” açoriano, de quase dois metros de altura. Previsto
nos desenhos e até nas maquetes do monumento, ele não entrou na montagem final. Na hora da fixação, em
1974, a intuição de Tenius sugeriu que o personagem era desnecessário, que ele estava, por assim dizer,
“sobrando”. O escultor então o levou para o sítio-ateliê que mantém em Viamão, instalando-o em meio à
natureza. Ao imaginar que a peça poderia tombar, por falta de equilíbrio, teve o cuidado de cortar-lhe as pernas.
Por mais de meio século, o fragmento permaneceu solitário, na cidade vizinha, mas agora retorna a Porto
Alegre. Esta é sua primeira aparição pública.
A exposição inclui, por fim, uma seleção de fotografias históricas, que registram etapas do processo que tornou
a obra possível: fundição, montagem e festa de inauguração do Monumento aos Açorianos, cinco décadas
atrás.
CARLOS TENIUS – VOO LIVRE
Curadoria: Eduardo Veras e Paula Ramos
Abertura: 8 de maio de 2026, às 18h
Visitação: de 11 de maio a 10 de julho de 2026, de segunda a sexta-feira, das 09h às 17h
Onde: Museu de Arte do Paço – Praça Montevidéu, 10 – Centro Histórico – Porto Alegre
Maiores informações: acervo@portoalegre.rs.gov.br

avatar
Vinícius Mitto é docente do SENAC RS e professor da Escola Técnica Estadual Irmão Pedro, em Porto Alegre. Graduado em Arquivologia pela UFRGS, com pós-graduação em Gestão em Arquivos pela UFSM e Formação Pedagógica pelo IFRS, possui mais de dez anos de experiência docente. Como Arquivista atua como consultor há mais de quinze anos em empresas privadas e no serviço público. Presidiu a entidade de classe da sua profissão, de 2022 a 2024. Atualmente é Conselheiro Fiscal do Clube do Professor Gaúcho e está na web há mais de uma década com seu site www.viniciusmitto.com.br por onde criou diversos projetos como o “Café da Manhã dos Influenciadores”, “Bloco Bah Guri” que arrastou mais 50 mil pessoas no carnaval de 2020 e o “Coletivo Bah Guri” que contou a história de dezenas de bairros de Porto Alegre no marco dos 250 anos da capital.