A votação do novo Plano Diretor na Câmara de Vereadores prevista para a próxima quinta-feira, dia 23 de abril, mobiliza moradores de um dos bairros-jardim de Porto Alegre, a Vila Assunção, na Zona Sul da Capital. Uma região frequentada por pessoas oriundas de vários lugares da cidade em busca de acesso ao Lago Guaíba, áreas arborizadas e ruas calmas, deseja manter-se tal como é, “um patrimônio urbanístico que atende a toda a Capital” segundo a diretora da Associação dos Proprietários e Moradores da Vila Assunção (APROVA), Lourdes Sprenger. “Estamos conversando com vereadores para sensibilizá-los quanto aos riscos que correm o meio-ambiente, a cultura e a identidade de Porto Alegre”, diz ela.
Residindo no bairro há 50 anos, Lourdes argumenta que a possibilidade de aumentar a altura das construções para mais do que os 9 metros atuais e construir mais metros quadrados numa mesma área, são as preocupações centrais. Segundo ela, prédios mais altos, em lugar de casas, em terrenos grandes, que são as predominantes no bairro, implicam em derrubar árvores com 40, 80 anos de vida, uma cobertura vegetal madura impossível de replantar em escala equivalente. “Se perdem as ilhas de frescor e os corredores ecológicos, que protegem nossa qualidade de vida num grande centro urbano”, argumenta.
Nessa pequena área de Porto Alegre, com cerca de 120 mil metros quadrados, estão sediados, ao longo da Avenida Guaíba, três clubes náuticos – Iate Clube Guaíba, Veleiros e Jangadeiros, que atraem competidores e praticantes de esportes náuticos, uma das vocações turísticas da Capital, destaca a diretora da APROVA. “Mais do que centros culturais e esportivos, os clubes serviram a cidade como pontos cruciais de apoio logístico e salvamento durante a enchente de 2024”, recorda.
O bairro tem a “Orlinha da Assunção”, nome dado pelos moradores ao espaço edificado há alguns anos, a Orla José Augusto Corrêa Roth, que proporciona aos frequentadores desfrutarem da natureza do lugar, reforça ela. Um contato também oferecido pelas 15 praças, arborizadas e com gramados, que passaram por revitalizações recentes em seus playgrounds, bancos e iluminação e que são cuidadas com apoio de moradores. Além delas, em levantamento elaborado pela APROVA, existem seis áreas verdes, algumas com uma reserva de mata. “Temos conversado com vereadores para sensibilizá-los a olhar para a Vila Assunção como um patrimônio da cidade, a ser mantido e valorizado”, afirma a diretora da APROVA.
Cidade-jardim – A Vila Assunção funciona atualmente como um dos raros “pulmões” horizontais de Porto Alegre, define Lourdes Sprenger. Ela conta que o projeto original do bairro data de 1937 e foi inspirado no conceito inglês de “cidade-jardim”, onde as ruas acompanham o relevo do terreno natural do bairro, que tem declives e é montanhoso. O desenho das ruas das cidades em geral, até então, tinham um padrão com um traçado tipo “xadrez”, ortogonal. Na “cidade-jardim”, segue ela, há a busca da integração do homem com a natureza, no caso, através de praças, o que até então não era comum e nem obrigatório pela prefeitura da cidade. Também existem no bairro as servidões, que são a ligação entre as praças, áreas verdes e as ruas para os pedestres, algumas em processo de revitalização pela Prefeitura Municipal e outras mantidas ajardinadas pelos vizinhos do entorno desses espaços.