Quem passar pelo Instituto Ling até o dia 21 de fevereiro pode conferir o mural de grandes dimensões criado por Valdson Ramos para conectar a cultura do Rio Grande do Sul com a do Centro-Oeste do Brasil. A intervenção faz parte do projeto Ling Apresenta: Quando as fronteiras se dissolvem, que tem curadoria de Paulo Henrique Silva, e pode ser visitada de segunda a sábado, das 10h30 às 19h, com entrada franca (exceto no feriado de Carnaval, de 14 a 17 de fevereiro).
Utilizando predominantemente tinta acrílica, o artista goiano desenvolveu um trabalho cheio de camadas, em que traça uma relação entre o sagrado e o profano. A obra convoca o público a refletir sobre as Missões Jesuíticas e sua participação no processo colonizador, especialmente no Sul, além dos ecos que reverberam em outras regiões do país.
No centro do mural, há a pintura de um tecido pendido por cordas e pregos. O tecido, pintado com vinho canônico diluído em água benta, é um elemento recorrente na produção de Ramos. Ao redor desse tecido, o artista carimbou diferentes pés goianos. Para fazer as pegadas, utilizou como molde o seu próprio pé, além de pedir emprestados pés de diversos romeiros – alguns de sua própria família.
O processo começou com a transformação das pegadas em moldes de gesso, que depois receberam aplicações de silicone para trazer detalhes das marcas da pele. “Esses pés remetem muito à questão da cultura jesuíta, que se espalhou por todo o Brasil, com os jesuítas muitas vezes caminhando descalços e deixando essas marcas por onde passavam”, explica o curador.
A obra conta ainda com uma cartografia desenhada sobre papel conectando o Rio das Almas (Pirenópolis – GO) ao Guaíba (Porto Alegre – RS), traçando uma geografia afetiva e política que atravessa o país. A feitura do trabalho foi acompanhada em tempo real por quem passou pelo Instituto Ling no final do mês de outubro. O processo foi registrado em um minidocumentário, assinado pela produtora Eroica Conteúdo, que está disponível no canal do YouTube do centro cultural.
Sobre o artista
Valdson Ramos nasceu em Formoso, em Goiás, em 1972. É artista visual e arte-educador, graduado em Artes Visuais pela UFG e mestre em Ciências Sociais e Humanidades pela UEG. Suas obras exploram a iconografia religiosa brasileira, utilizando vinho canônico e água benta para refletir sobre questões contemporâneas. Participou de exposições em diversos espaços, como o Centro Cultural São Paulo (São Paulo, SP), Palácio das Artes (Belo Horizonte, MG) e o MAC (Goiás, GO). Entre suas premiações, destaca-se o 4° Salão Nacional de Pequenos Formatos do Museu de Arte de Britânia (2024). Vive e trabalha em Anápolis.
Sobre o curador
Paulo Henrique Silva foi aluno e professor na Escola de Artes Oswaldo Verano, mantida pela Prefeitura de Anápolis, em Goiás, onde nasceu, e graduou-se em Artes Visuais pela Universidade Federal de Goiás. Desde 2004, dedica-se à curadoria, com foco no estudo e na pesquisa da arte contemporânea produzida na Região Centro-Oeste do Brasil. Projetos recentes incluem as mostras Entre Acervos, Dialetos 1 e 2, Novas Aquisições, Um Acervo em Construção, Fotografia no Acervo do Mapa, Conversas – resistência e convergência e Vozes do Silêncio. Foi curador em mais de onze edições do Salão Anapolino de Arte e tem contribuído significativamente para a ampliação do acervo do MAPA e o fortalecimento da arte contemporânea no interior do Brasil. De 2020 a 2024, foi responsável pela Coordenação do Fundo Municipal de Cultura e Editais, Curadoria e Gestão do MAPA e da Galeria de Artes Antônio Sibasolly, em Anápolis.
Mais sobre o projeto
Ramos é o quarto e último artista a participar desta temporada do projeto Ling Apresenta que, neste ano, recebeu o subtítulo de Quando as fronteiras se dissolvem. “Os artistas escolhidos para esta edição colaboram para construir uma história da arte horizontal, em que periferias e centros aparecem no mesmo mapa, reforçando a pluralidade de vozes que compõem o cenário nacional”, destaca o curador.
A iniciativa recebeu, em março, o artista cuiabano Gervane de Paula, que criou um trabalho carregado de elementos da sua cultura regional, mesclando animais do Pantanal com símbolos gaúchos, como o cavalo Caramelo, que ficou famoso após sobreviver em um telhado durante as enchentes. Em junho, a convidada foi a artista visual, escritora e escultora Paty Wolff, que produziu uma obra que transita por diversas linguagens, como pintura, desenho e escrita da palavra, com a combinação do uso de diferentes materiais, entre eles tinta, estilete e papelão. E, em agosto, o centro cultural trouxe a artista Camila Soato, que fez uma obra com diferentes personagens extraídos do cotidiano banal.
O Ling Apresenta: Quando as fronteiras se dissolvem é uma realização do Instituto Ling e Ministério da Cultura / Governo Federal, com patrocínio da Crown Embalagens.
Serviço
Ling Apresenta: Valdson Ramos, com intervenção artística inédita
Artista: Valdson Ramos
Curadoria: Paulo Henrique Silva
Visitação: até 21 de fevereiro, de segunda a sábado, das 10h30 às 19h (exceto no feriado de Carnaval, de 14 a 17 de fevereiro)
Instituto Ling (Rua João Caetano, 440 – Três Figueiras – Porto Alegre/RS)
Entrada franca
Informações úteis
www.facebook.com/InstitutoLing
www.instagram.com/Instituto.
www.youtube.com/c/
Fone: 51 3533-5700
Email: instituto.ling@institutoling.
Estacionamento: o Instituto Ling possui estacionamento pago com 30 vagas.
Bicicletários: há bicicletários gratuitos localizados dentro do estacionamento, com 16 vagas.
Acessibilidade: o prédio do Instituto Ling foi projetado para garantir conforto, segurança e autonomia, contando com acessibilidade física em todos seus ambientes e com uma equipe orientada para atender pessoas com deficiência. O centro cultural também disponibiliza conteúdos digitais com audiodescrição e tradução para Libras, contendo informações sobre o seu acervo permanente e projeto arquitetônico. A instituição ainda oferece medidas de acessibilidade para pessoas com deficiências em suas programações culturais e visitas mediadas, mediante solicitação prévia pelo e-mail instituto.ling@institutoling.
Sobre o Instituto Ling
Criado e mantido pela família Ling há 30 anos, o Instituto Ling tem como missão promover o desenvolvimento humano e a evolução da sociedade através da disseminação de diferentes formas do conhecimento, da liberdade de pensamento, da valorização da cultura e da saúde. Na área da educação, desde a fundação auxilia jovens líderes a desenvolverem seus potenciais intelectuais e empreendedores através da concessão de bolsas de estudo para as melhores instituições do mundo. Com a abertura de seu centro cultural em Porto Alegre, em 2014, ampliou e solidificou sua atuação, firmando-o como referência na disseminação do conhecimento e provedor de serviços e produtos culturais diferenciados, com elevado padrão de qualidade e estética.
Na área da saúde, o Instituto Ling estabeleceu parceria com o Hospital Moinhos de Vento, em 2015, para a implantação de um centro de referência no tratamento do câncer em Porto Alegre, e, em 2023, para a concessão de bolsas de estudo para cursos de enfermagem; e com a Santa Casa de Misericórdia, em 2019, contribuindo para a construção do novo prédio do complexo hospitalar em Porto Alegre. Por ocasião das enchentes em maio de 2024, o Instituto Ling lançou o Reconstrói RS, iniciativa em parceria com Federasul e Instituto Cultural Floresta que apoia obras de reconstrução e ações para a retomada da economia nas comunidades atingidas.
A família Ling, mantenedora do instituto, é proprietária da holding company Évora. Presente em 11 países, o grupo empresarial produz e comercializa latas de alumínio para bebidas, não-tecidos de polipropileno (usados principalmente na produção de descartáveis higiênicos) e embalagens plásticas.