O projeto de restauração da Igreja Matriz de Nossa Senhora do Rosário – Rio Pardo (RS) concluiu sua primeira etapa e no próximo domingo, dia 1º de março, às 9 horas, será realizado um evento de entrega. O mais antigo templo católico do município, com quase 250 anos, simboliza a história viva da colonização portuguesa na região do Vale do Rio Pardo.
O telhado, que estava bem degradado devido à infiltração de água da chuva e ação de térmitas / xilófagos, tais como brocas e cupins, passou por um cuidadoso processo de recuperação. Foi feita uma reabilitação a estrutural de madeira, com a imunização e a substituição pontual de peças mais degradadas. Para proporcionar maior longevidade e garantir a vedação do telhado, foi inserida uma subcobertura metálica sobre os caibros e feito o reentelhamento com telhas do tipo capa e canal, semelhantes às originais.
“Tudo para evitar que chova dentro da edificação, deixando a madeira melhor acondicionada e menos suscetível às pragas. E foi implementada a acessibilidade para facilitar a inspeção e a manutenção”, explica o arquiteto responsável Lucas Volpatto, do Studio1 Arquitetura.”
A obra, acompanhada pelo corpo técnico do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado do Rio Grande do Sul (IPHAE), foi executada com recursos do Fundo de Apoio à Cultura (FAC), Sedac/Governo do Estado do Rio Grande do Sul. Sob a gestão da Cult Assessoria e Projetos Culturais e coordenação do escritório Studio1 Arquitetura, o projeto é uma realização da Mitra Diocesana de Santa Cruz do Sul e Paróquia Nossa Senhora do Rosário – Rio Pardo.
Ação de educação patrimonial
Com o objetivo de conscientizar sobre a importância da preservação da Igreja Matriz, salientando as técnicas e cuidados necessários para manter sua integridade, ações de educação patrimonial foram planejadas.
Visitas orientadas por uma equipe de especialistas em patrimônio, arte e conservação, estudantes do ensino fundamental, médio e de Arquitetura ocorreram ao longo de 2025.
E, para celebrar a entrega desta etapa, foram elaboradas duas cartilhas que serão distribuídas para o público presente no evento do dia 1º. Além das empresas e entidades envolvidas, uma equipe multidisplinar participou também dessa concepção que contou com pesquisa e texto dos historiadores Pedro Meirelles e Sofia Inda, ilustrações de Betina Nilsson e projeto gráfico de Telma A. Mota e Gabriela S. Pinto.
“Uma conta a história da Igreja, identificando os diversos símbolos que integram o templo religioso e a outra vai orientar a comunidade sobre a importância da conservação, explicando o processo de recuperação do telhado e como identificar as pragas e danos que possam vir a acontecer daqui pra frente para evitar uma outra grande obra de restauração”, observa Volpatto.
Patrimônio histórico e arquitetônico
Segundo pesquisa histórica, em 1778, foi erguida uma capela que acabou dando lugar a uma construção mais robusta – iniciada em 1790 com base no projeto do engenheiro militar Francisco João Roscio. Foi finalizada em 1801, ainda sem torres, tampouco revestimento interno ou externo, sinos ou relógio. Pouco a pouco, detalhes foram acrescentados ao templo. Uma das torres ficou pronta em 1854, a outra só em 1885. Os sinos e o relógio são da década de 1850. E as pinturas, datadas do período entre 1927 e 1930.
Concluída no século XIX, a fachada da Matriz tem estilo historicista e eclético, com detalhes que remetem ao neoclássico. Seu acervo sacro é único, composto pelo altar-mor e retábulos originais agregados, com imagens religiosas descritas abaixo:
-Nossa Senhora do Rosário, padroeira da Matriz, assentada no altar-mor. A escultura em madeira é originária da antiga Irmandade dos Pretos (1773);
-Retábulo de Nossa Senhora das Dores, um dos exemplares mais antigos da Matriz, mistura elementos do barroco e do rococó;
– Retábulo Nossa Senhora da Assunção;
– Retábulo São Francisco de Paula;
– Retábulo de Santa Teresinha do Menino Jesus;
– Retábulo do Divino Espírito Santo;
– Imagem do Cristo Morto. Durante a Semana Santa, é exposta e levada em procissão. Feita em madeira com braços articulados, foi trazida da Bahia em 1848;
– Sagrado Coração de Jesus. A imagem do Sagrado Coração de Jesus, encomendada em 1918, foi feita pelo artista italiano Marino del Favero (1864-1943);
– Pinturas: entre 1927 e 1930, a igreja recebeu sua decoração atual. As pinturas das paredes, do forro e da capela-mor são assinadas por Fernando Schlatter (1870-1949) e Franz Steinbacher (1887-1933). No painel central, se destacam imagens dos quatro Evangelistas – Mateus, Marcos, Lucas e João, além de Maria e Jesus Cristo.
Glaci Braga, sócia-diretora da Cult Assessoria e Projetos Culturais reitera a relevância da iniciativa:
“O projeto de restauração é fundamental não só para a comunidade católica como também para Rio Pardo e Rio Grande do Sul, considerando que se trata de um bem tombado pelo município (1980), e pelo IPHAE (2010). É um símbolo afetivo de imenso valor histórico e cultural, integrado ao conjunto de imóveis históricos de Rio Pardo.”