Fundação Iberê e Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo promovem rodada de conversa sobre a obra do artista naïf José Antônio da Silva

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Neste sábado (7), a Fundação Iberê e o Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (MAC – USP) promovem uma conversa sobre a obra de José Antônio da Silva com a galerista Vilma Eid, o colecionador Orandi Momesso e o diretor do Muse de Grenoble (FR), Sébastien Gokalp sobre o colecionismo, a circulação e a recepção crítica da obra do artista. O encontro mediado por Emilio Kalil, diretor superintendente da Fundação Iberê, ocorre às 11h, no Auditório Walter Zanini.

 

No dia 14 (sábado), também às 11h, será exibido o filme ‘Quem não conhece o Silva?’ (1979), seguido de conversa com Carlos Augusto Calil, diretor do curta, professor, pesquisador e responsável pela curadoria da mostra homônima apresentada em 1983, na antiga sede do MAC – USP. encontro será mediado por Fernanda Pitta, curadora do museu e especialista no trabalho do artista.

 

José Antônio da Silva: Pintar o Brasil, em cartaz até o dia 15 de março, já passou pelo Museu de Grenoble, na França, como parte da Temporada Brasil-França 2025, e pela Fundação Iberê, em Porto Alegre. A exposição apresenta 142 obras, sendo 119 do acervo do MAC-USP, que reúne trabalhos do artista desde sua fundação e abriga o maior acervo do país de sua obra.

 

A doação inaugural do acervo já incluía pinturas de 1942 a 1950, período em que Silva começava a despertar o interesse da crítica, antes mesmo de seu reconhecimento nas primeiras Bienais de São Paulo. Esse momento revela uma inflexão no modernismo brasileiro, que então passava a valorizar produções não-acadêmicas, associadas a uma ideia – ainda que controversa – de arte “ingênua” ou “primitiva”, em diálogo com novas compreensões do popular.

 

José Antônio da Silva (1909-1996) foi provavelmente o artista autodidata brasileiro mais bem-sucedido e famoso de sua época, cuja carreira lança luz sobre o dinamismo e muitas das contradições da arte moderna no Brasil. Nasceu na cidade rural de Sales Oliveira (SP), em uma região marcada por plantações intensivas de algodão e milho. Seu pai guiava carro de bois, e ele cresceu mergulhado nas tradições rurais e no folclore do campo, tópicos que apareceriam consistentemente em seu trabalho. Sua descoberta artística veio em 1946, quando apresentou pinturas em uma exposição no recém-inaugurado centro cultural da cidade vizinha de São José do Rio Preto, as quais foram elogiadas então pelos principais críticos de arte da época, que entusiasticamente saudaram o “achado” desse “autêntico” artista popular brasileiro. Isso abriu as portas para Silva, que participou da primeira edição da Bienal de São Paulo (1951) e de seis edições subsequentes, além de uma representação especial na 33ª Bienal de Veneza.

 

Segundo o curador Gabriel Pérez-Barreiro, as obras não têm a pretensão de oferecer uma cronologia ou uma retrospectiva do artista, mas sim de explorar os diferentes temas de sua obra e como ele escolheu retratá-los ao longo das décadas. “Silva produziu uma obra alegre e provocadora. Ele foi capaz de traduzir, em suas pinturas, a vida social e religiosa intensa de sua comunidade, enquanto criava composições visuais que transbordam energia e inventividade. Acidentalmente, talvez, ele tenha criado, entre as artes popular e erudita, um terceiro espaço que continua particularmente relevante hoje”, destaca o curador, destaca.

 

A exposição José Antônio da Silva: Pintar o Brasil é realizada com patrocínio da Petrobras e do Banco do Brasil, e apoio do Ministério da Cultura por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura – Lei Rouanet.

 

SERVIÇO
7 de março | Sábado | 11h
Conversa sobre Silva com a galerista Vilma Eid, o colecionador Orandi Momesso e o diretor do Muse de Grenoble, Sébastien Gokalp
Mediação: Emilio Kalil
Onde: Auditório Walter Zanini – (Avenida Pedro Álvares Cabral, 1301 – Ibirapuera, São Paulo)

Entrada gratuita

 

14 de março | Sábado | 11h
Exibição do curta-metragem ‘Quem não conhece o Silva?’ (1979), seguido de conversa entre diretor do filme, professor e pesquisador Carlos Augusto Calil
Mediação: Fernanda Pitta
Onde: Auditório Walter Zanini (Avenida Pedro Álvares Cabral, 1301 – Ibirapuera, São Paulo)

Entrada gratuita

 

Período expositivo: até 15/03/2026
Visitação terça-feira a domingo, das 10h às 21h
Onde: Museu de Arte Contemporânea de São Paulo – MAC (Avenida Pedro Álvares Cabral, 1301 – Ibirapuera, São Paulo)

Entrada gratuita

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Vinícius Mitto é docente do SENAC RS e professor da Escola Técnica Estadual Irmão Pedro, em Porto Alegre. Graduado em Arquivologia pela UFRGS, com pós-graduação em Gestão em Arquivos pela UFSM e Formação Pedagógica pelo IFRS, possui mais de dez anos de experiência docente. Como Arquivista atua como consultor há mais de quinze anos em empresas privadas e no serviço público. Presidiu a entidade de classe da sua profissão, de 2022 a 2024. Atualmente é Conselheiro Fiscal do Clube do Professor Gaúcho e está na web há mais de uma década com seu site www.viniciusmitto.com.br por onde criou diversos projetos como o “Café da Manhã dos Influenciadores”, “Bloco Bah Guri” que arrastou mais 50 mil pessoas no carnaval de 2020 e o “Coletivo Bah Guri” que contou a história de dezenas de bairros de Porto Alegre no marco dos 250 anos da capital.