EXTREME BAND in PoA – 06/04/2026 – Resenha do Show

blank

Foto: Douglas Fischer

A cidade norte-americana de Boston nos presenteou com pelo menos duas bandas hard roqueiras de muito respeito. Uma mais antiga, com sua origem blueseira datada do início dos anos 1970, o Aerosmith; e a outra no mesmo patamar notadamente pela qualidade das performances vocais e guitarrísticas de seus integrantes, o Extreme de Gary Cherone e Nuno Bettencourt, criadores da famosa balada More Than Words que fora lançada em 1990 no seu segundo álbum de estúdio. Não preciso dizer que, pelo seu apelo comercial e forte vinculação pelas estações de rádio mundo afora desde o seu surgimento, esta foi a música que mais comoção gerou na apresentação do grupo em Porto Alegre no Auditório Araújo Vianna em 06 de abril de 2026, dois dias após a aparição no consagrado festival Monsters of Rock em São Paulo.

Uma banda super afiada, mesmo com um hiato de mais de uma década e com Mr. Cherone, que outrora teve seu tempo como vocalista ao lado do grandioso guitar hero Edward Van Halen na lendária banda californiana Van Halen nos idos de 1998, sempre muito acrobático no palco e bem articulado no auge de seus 64 anos de idade.

It ( ‘s a Monster ) que é uma “sonzeira” agitada do disco mais renomado do grupo, o Pornograffitti de 1990, fez as graças da abertura quando o relógio marcava 21:19h, e na continuidade, Decadence Dance embalou a plateia num ritmo mais dançante seguida da recente Rebel.

Rest in Peace, do álbum com mais fusões de estilos como o progressivo e o funk, abriu caminho para Am I Ever Gonna Change do mesmo CD intitulado III Sides to Every Story de 1992.

Thicker Than Blood, acompanhada pela batida introducional de We Will Rock You do Queen levando à execução da antigona e pesada Play with Me, contrastou com a calmaria que viria a seguir.

Depois de um “Obrigado Porto Alegre” dito por Nuno, e aos gritos de “lindoooo” por parte de algumas tietes mais exaltadas, veio a resposta do músico: “concentrar” … exclamou ele, ao mesmo tempo em que ajustava seu violão para a light session composta pela nova Other Side of the Rainbow e a afamada Hole Hearted, esta última um sucesso dos anos 90 e que foi emendada com um pedacinho do refrão de Crazy Little Thing Called Love do Queen (novamente), uma sacada bem interessante.

Is my hair good-looking ?!” Essa foi mais uma falácia que Mr. Bettencourt proferiu enquanto dedilhava aleatoriamente as cordas do violão em uma escala descendente que fora finalizada com um brado: “WANTED …” ; e eu, como fã alucinado de Bon Jovi que sou não me contive, e continuei : “… Dead or Alive” !! Poucos ao redor ouviram e entenderam ! Mas foi Nuno Bettencourt, português de nascimento e que vive nos EUA desde muito pequeno, o principal culpado pelos queixos caídos do público durante grande parte da apresentação. Instrumentista virtuoso e com uma bela presença de palco, é o detentor do Grammy Award de 2026 na categoria Melhor Performance Rock além de conquistar, por voto popular, o prêmio de Melhor Solo de Guitarra de 2023 com a música Rise. Realmente, sua guitarra ferve com riffs e fraseados incessantes e não é por acaso que é considerado um dos melhores guitarristas de rock em atividade.

Midnight Express, totalmente instrumental, proporcionou o famoso descanso para o resto da banda e fez o interlúdio para a esperadíssima More Than Words, que não poderia acontecer sem mais uma brincadeirinha do animado guitarrista; em suas palavras : “ We did it a THOUSAND MILLION TIMES ”, desferindo antes, as notas iniciais de Stairway to Heaven do Led Zeppelin. Talvez essa seja o tipo de canção que de tão famosa e vangloriada, torna-se enfadonha para os próprios autores depois de tantos anos sendo executada ao vivo.

Cupid’s Dead, com riffs de guitarra estrondosos e a novata Bunshee, despejaram mais adrenalina no sangue para a performance de Get The Funk Out, outra música muito prestigiada pelos fãs. Flight of the Wounded Bumblebee, um achado do disco ao vivo de 2010, fechou a apresentação deixando espaço apenas para o bis com, é claro, RISE.

Enfim, Porto Alegre foi novamente agraciada com mais uma aula de como entreter o público geral com boa música, profissionalismo e entrega. De fato, o Extreme continua com energia e vitalidade extremas !

 

avatar
Fisioterapeuta especializado em Medicina do Esporte, Músico (ex Duahlen) e Crítico Musical. Especialista em Heavy, Hard e no bom e velho Rock 'n' Roll. Sempre à disposição para uma boa conversa!! 👉 @ricodanielski 🤘