Aquele que não aprecia o som de um bom violino, ouvidos hábeis não detém! Esta, uma frase de minha autoria, mesmo com um certo tom de acidez, condiz com o êxito de um instrumento que, nascido na Itália do século XVI a partir da rabeca medieval, continua a agradar os “paladares” atuais através da migração do estilo neoclássico para a música popular em geral, o jazz, o rock e o Heavy Metal Sinfônico.
Um representante de peso, oriundo daqui do sul do país, que entrega exatamente essa proposta a partir da mescla de um som erudito encravado em releituras repletas de ótimos arranjos instrumentais de sucessos da música contemporânea, é o grupo Corde Vita. Capitaneado pelos músicos Robert Cruz, Dhouglas Umabel e Bruno Esperon, este é um projeto focado em espetáculos de violinos, rodeados por quatro cellos além da “cozinha” básica (o baixo, a guitarra e a bateria … somados ao piano de cauda e à percussão) que é o que fornece a tal percepção modernista em seus trabalhos.
19h30min no relógio …. já é tempo dos violinos “chorarem” no Auditório Araújo Vianna! Com uma atmosfera épica, elegante e cinematográfica, apresentando It’s my Life de Bon Jovi, The Final Countdown da banda Europe e Beat It de Michael Jackson em seu início, o trio simplesmente arrematou de vez os corações da audiência de uma maneira pouco usual em shows unicamente instrumentais.
As bandas Queen (através da lindíssima canção Bohemian Rhapsody seguida de um breve fragmento da Sinfonia n° 5 de Ludwig van Beethoven), Aerosmith, The Beatles e Roxette também foram lembradas … esta última, representada por Spending my Time de 1991, contou com um momento marcante durante sua execução. Lá nas primeiras fileiras bem em frente ao palco, um casal aleatório atava laços com beijos apaixonados e a devida troca de alianças … é claro que com muitos aplausos e um frenesi generalizado. Até os velhos e esquecidos Backstreet Boys, os Eagles com a célebre Hotel California e November Rain dos Guns ‘n’ Roses, foram os principais representantes do interlúdio enquanto a apresentação caminhava para o seu encerramento.
The Best, música de Tina Turner, contando com fortes fraseados de saxofone por parte de Robert Cruz – um talento em pessoa – onde vieram a mim durante a apresentação, por parte de uma amiga e vizinha em comum de Robert, estas palavras:
- “No primeiro sábado de pandemia, todos dentro dos apartamentos …. de repente escutamos uma música ao longe, fui na janela, e era ele. Tocava Ave Maria para os vizinhos”. É ….. ainda bem que existem os músicos em nossas vidas !!
Kashmir do Led Zeppelin, performada com peso e melodia surreais, perfeição e extremo entrosamento, seguida por outra boa escolha pop/eletrônica que transformou o Araújo Vianna em uma casa de festas, nos guiou ao desfecho com Viva La Vida, grande sucesso do Coldplay que em sua gravação original também contém bonitos trechos de violino.
O Corde Vita merece e muito ser alavancado para o mundo! Profissionalismo e carisma, aliados a uma bela produção e um repertório de tirar o fôlego, fazem do grupo uma entidade promissora no segmento do entretenimento musical. E além de todo o mais, não há nada melhor do que se deliciar com os lamurios de um violino bem tocado!