Está em cartaz até este sábado, dia 6 de junho, no Instituto Ling, a exposição Dias normais, de Shirley Paes Leme. A mostra, com curadoria de Tálisson Melo, conta com trabalhos que atravessam diferentes linguagens, como luz, vídeo, metal, resíduos urbanos e esculturas em bronze, produzidos a partir de 2014, período em que Shirley aprofundou a investigação sobre a percepção em meio às crises contemporâneas: da poluição à guerra, da presença constante das tecnologias de comunicação aos pequenos sinais de esperança em meio a um luto prolongado. A exibição pode ser conferida diariamente das 10h30 às 20h, com entrada franca (exceto no feriado de Corpus Christi, na próxima quinta-feira).
Em Porto Alegre, a artista apresenta um conjunto plural de obras que evidenciam a amplitude da sua pesquisa material e poética, articulando tecnologia, matéria orgânica transformada e processos escultóricos tradicionais. As obras exemplificam os diferentes suportes e temas que ela vem explorando ao longo dos seus mais de 40 anos de carreira, privilegiando o uso de materiais naturais e elementos prosaicos do cotidiano.
Um dos exemplos é a obra Skyline (2025), da série Ar da Cidade, em que a artista elaborou uma composição a partir da paisagem urbana, com filtros de ar-condicionado de carros já utilizados e manchados pela poluição. Outro destaque é a instalação Duração dos Dias, conjunto de 150 esculturas únicas, resultado de velas que derreteram depois de queimar por 21 dias, cristalizadas em bronze dourado, sobre uma grande mesa preta.
Matéria fundamental na produção da artista, a literatura também está presente. Nas paredes da galeria, há pequenos textos fixados, ora escritos em bronze dourado que parece se derreter, ora em bronze com pátina preta, trazendo frases como “Multiplicar o silêncio ampliava a solidão” e “Os vazios são maiores e até infinitos”.
“Esta exposição se chama Dias normais — uma ironia para enfatizar a sutileza e ambiguidade da poética de Shirley Paes Leme que, desde o final dos anos 1970 até sua produção mais atual, vem elaborando um corpo de obra amplo e diverso, explorando materiais e linguagens que se constituem do efêmero ou do residual, daquilo que é descartado ou afastado da sensibilidade”, explica o curador.
Antes ou após a visita, o público também pode conferir o minidocumentário sobre a exposição. O filme, produzido pela Eroica Conteúdo, está disponível no canal do YouTube do Instituto Ling.
A mostra tem realização do Instituto Ling e do Ministério da Cultura/Governo Federal, com patrocínio da Crown Embalagens.
Mais sobre a artista
Shirley Paes Leme nasceu na travessia entre GO e MG, em 1955. Em 1978, graduou-se na Universidade Federal de Minas Gerais. De 1983 a 1986, recebeu Bolsa Fulbright. Em 1986 doutorou-se pela JFK University, San Francisco Art Institute e University of California, em Berkeley, EUA. Vive e trabalha em São Paulo, SP.
Individuais selecionadas: Nosso Mundo (2023), Museu de Arte Moderna de São Paulo. Os Vestígios dos Dias (2023), Galeria Zielinsky, Barcelona. Suspiro em Vão (2022), Galeria Raquel Arnaud, São Paulo. Eterno Retorno (2020), Carbono Galeria, São Paulo. RareAr (2019), Galeria Raquel Arnaud, São Paulo. Geografias Errantes (vistas de dentro para fora) (2018), Palácio das Artes, Porto. Quando Atitudes (trans)formam (2015), Centro Cultural Minas, Belo Horizonte. Água Viva (2012), Museu Vale, Vitória. Heterotopias Cotidianas (2009), Museu de Arte Contemporânea do Ceará, Fortaleza. Ambulantes (2008), Centro Cultural Espanha, Cidade do México. Horas (2009), Galeria de Artes Visuais UFG, Goiânia. Peso/Leveza (2004), Passa Quatro. Desenhos e Vídeo (2003), Galeria Jaspers, Munique. Deux Artistes Brasiliens (1996), Galeria Debret, Paris. Inside Out (1986), Fiberworks Gallery, Berkeley. Fibra (1981), Fundação Cultural, Brasília.
Coletivas selecionadas: FullGás (2025), CCBB, Rio de Janeiro. I Bienal Sur (2017), Buenos Aires. X Bienal do Mercosul (2015). Vidéo et Aprés – Vidéo Brasilienne: un portrait (2010), Centre Georges Pompidou, Paris. Black and White (2006), Haim Chanin Gallery, Nova York. I Bienal Internacional de Arte al Aire Libre (2005), Caracas. I Bienal do Fim do Mundo (2007), Ushuaia. Côte à Côte – Art Contemporain du Brésil (2001), Musée d’Art Contemporain de Bourdeaux. Bienal de La Habana. Século XX: Arte do Brasil (2001), Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa. Bienal de São Paulo 50 anos (2000). II Bienal do Mercosul (1999), Porto Alegre. Die Anderen Modernen (1997), Casa das Culturas do Mundo, Berlim. XV Bienal de Lausanne (1993).
Sobre o curador
Tálisson Melo nasceu em Juiz de Fora (MG), em 1991. É curador, pesquisador e professor. Atualmente, atua como curador-pesquisador no Memorial da Resistência de São Paulo e no MASP. Doutor em antropologia e sociologia pela UFRJ, com estágio doutoral na Yale University (EUA). Pós-doutorado no Instituto de Estudos Brasileiros da USP. Mestre e bacharel em Artes pela UFJF, com ênfase em História da Arte pela Universidade de Salamanca (Espanha). Entre as exposições que curou nos últimos anos, destacam-se: Fullgás – artes visuais e anos 1980 no Brasil, Centro Cultural Banco do Brasil, Rio de Janeiro, Brasília, São Paulo e Belo Horizonte, 2024-2025; Pra onda não me tirar, Temporada, Paço das Artes, São Paulo, 2025; O Pernambuco cósmico de Suanê, Museu de Arte Contemporânea da USP, 2024; Atualização do sistema, Museu Nacional da República, Brasília, 2023 (prêmio Associação Brasileira de Crítica de Arte como melhor exposição regional); e Retransformações de Gretta Sarfaty, Auroras, São Paulo, 2022.
Serviço
Exposição Dias normais
Artista: Shirley Paes Leme
Curadoria: Tálisson Melo
Visitação: até 6 de junho, de segunda a sábado (exceto no feriado de Corpus Christi), das 10h30 às 20h, com entrada franca
Instituto Ling (Rua João Caetano, 440 – Três Figueiras – Porto Alegre/RS)
Informações úteis
www.facebook.com/InstitutoLing
www.instagram.com/Instituto.
www.youtube.com/c/
Fone: 51 3533-5700
Email: instituto.ling@institutoling.
Estacionamento: o Instituto Ling possui estacionamento pago com 30 vagas.
Bicicletários: há bicicletários gratuitos dentro do estacionamento do prédio, com 16 vagas.
Acessibilidade: o prédio do Instituto Ling foi projetado para garantir conforto, segurança e autonomia, contando com acessibilidade física em todos seus ambientes e com uma equipe orientada para atender pessoas com deficiência. O centro cultural também disponibiliza conteúdos digitais com audiodescrição e tradução para Libras, contendo informações sobre o seu acervo permanente e projeto arquitetônico. A instituição ainda oferece medidas de acessibilidade para pessoas com deficiências em suas programações culturais e visitas mediadas, mediante solicitação prévia pelo e-mail instituto.ling@institutoling.
Sobre o Instituto Ling
Criado e mantido pela família Ling há 30 anos, o Instituto Ling tem como missão promover o desenvolvimento humano e a evolução da sociedade através da disseminação de diferentes formas do conhecimento, da liberdade de pensamento, da valorização da cultura e da saúde. Na área da educação, desde a fundação auxilia jovens líderes a desenvolverem seus potenciais intelectuais e empreendedores através da concessão de bolsas de estudo para as melhores instituições do mundo. Com a abertura de seu centro cultural em Porto Alegre, em 2014, ampliou e solidificou sua atuação, firmando-o como referência na disseminação do conhecimento e provedor de serviços e produtos culturais diferenciados, com elevado padrão de qualidade e estética.
Na área da saúde, o Instituto Ling estabeleceu parceria com o Hospital Moinhos de Vento, em 2015, para a implantação de um centro de referência no tratamento do câncer em Porto Alegre, e, em 2023, para a concessão de bolsas de estudo para cursos de enfermagem; e com a Santa Casa de Misericórdia, em 2019, contribuindo para a construção do novo prédio do complexo hospitalar em Porto Alegre. Por ocasião das enchentes em maio de 2024, o Instituto Ling lançou o Reconstrói RS, iniciativa em parceria com Federasul e Instituto Cultural Floresta que apoia obras de reconstrução e ações para a retomada da economia nas comunidades atingidas.
A família Ling, mantenedora do instituto, é proprietária da holding company Évora. Presente em 11 países, o grupo empresarial produz e comercializa latas de alumínio para bebidas, não-tecidos de polipropileno (usados principalmente na produção de descartáveis higiênicos) e embalagens plásticas.